O termo de troca de plantão é o documento que registra que dois médicos combinaram inverter seus turnos na escala. Ele precisa trazer a data e o horário do plantão trocado, o nome e o CRM dos dois profissionais, a unidade e o setor, o motivo, e a assinatura de ambos mais a autorização da chefia. Depois de assinado, vai para quem responde pela escala — e cada médico guarda uma cópia.
A maioria das instituições exige antecedência mínima: formulários de residência costumam pedir 48 horas, e modelos hospitalares chegam a pedir 72 horas antes do plantão.
Parece burocracia até o dia em que alguém não aparece.
Por que o combinado no grupo não protege ninguém
A troca quase sempre nasce no WhatsApp: "consegue pegar meu plantão de quinta?". O problema não é combinar por ali — é parar por ali.
O Cremego relata queixas de diretores técnicos contra médicos que teriam faltado ao plantão, quando na verdade a troca havia sido combinada com um colega que compareceu. Sem registro na escala oficial, a ausência aparece como abandono, e quem precisa provar o contrário é o médico.
Especialistas ouvidas pelo Portal Afya são diretas: mensagem trocada entre colegas, sozinha, não tem respaldo jurídico. A substituição só vale quando registrada formalmente na escala oficial da unidade e autorizada pela chefia.
O Cremesp detalha a ordem dos fatos: a troca é primeiro acordada entre os dois profissionais e, em seguida, o médico que a solicitou comunica o chefe do setor por escrito e com antecedência. Deixar de avisar pode ser tratado como quebra hierárquica.
E há o limite ético, que não depende de instituição nenhuma: o artigo 9º do Código de Ética Médica proíbe o médico de abandonar o plantão sem a presença de um substituto, salvo por justo impedimento. Combinar a troca e não garantir que o colega apareceu não é um problema de escala — é uma infração ética.
Há ainda o lado de quem coordena. Uma escala em que as trocas vivem só no grupo deixa de refletir quem realmente estará no setor, e é assim que se publica um mês com dois médicos achando que estão de folga no mesmo dia. É o mesmo problema que aparece quando a escala é gerida por WhatsApp — e é um dos motivos pelos quais equipes acabam migrando para um app de controle de plantões.
O que o termo precisa conter
Sete campos resolvem — e são os mesmos que aparecem nos formulários oficiais de hospitais universitários e institutos públicos:
- •Identificação dos dois médicos — nome completo e CRM de quem sai e de quem assume
- •O plantão trocado — data, horário de início e fim, unidade e setor
- •O plantão de reposição, quando houver permuta — mesma informação, na data invertida
- •Natureza da troca — permuta (um cobre o outro em outra data) ou cessão simples (quem assume não devolve)
- •Motivo da solicitação — exigido na maior parte dos formulários institucionais
- •Declaração de responsabilidade — de que o médico que assume responde integralmente pelo turno
- •Assinatura dos dois e autorização da chefia — não basta "ciente": os modelos oficiais pedem autorização expressa de quem responde pela escala
Modelo pronto para copiar
TERMO DE TROCA DE PLANTÃO
Unidade: ____________________ Setor: ____________________
MÉDICO QUE CEDE O PLANTÃO
Nome: ____________________________ CRM: ______________
Plantão cedido: ___/___/_____, das ______ às ______
MÉDICO QUE ASSUME O PLANTÃO
Nome: ____________________________ CRM: ______________
( ) Permuta — plantão de reposição em ___/___/_____, das ______ às ______
( ) Cessão simples — sem plantão de reposição
Motivo da solicitação: _______________________________________
Declaramos estar cientes da escala vigente e que o médico que assume
responde integralmente pelo turno acima, inclusive pela passagem de
plantão ao profissional seguinte.
Local e data: ____________________, ___/___/_____
_______________________ _______________________
Médico que cede Médico que assume
_______________________
Autorizo — coordenação da escala / direção técnica
Imprima, assine e envie para quem responde pela escala. Os dois médicos guardam uma via. Se a instituição já tiver formulário próprio, use o dela — o importante é que exista registro fora da conversa.
Se a troca foi feita pelo Plantão Pago, esse preenchimento é automático: o termo já sai com os dados do plantão, os CRMs e a autorização registrada.
Troca de plantão não é passagem de plantão
As duas coisas são confundidas o tempo todo, e só uma delas tem norma específica do Conselho Federal de Medicina.
Troca é o acerto administrativo entre dois médicos para inverter turnos na escala. Não existe resolução do CFM tratando dela — quem define as regras é a instituição, e é por isso que o registro escrito importa tanto.
Passagem é a transmissão do caso ao médico que assume o turno seguinte. Essa, sim, é obrigatória: a Resolução CFM nº 2.077/2014, no artigo 8º, exige que seja feita de médico para médico, para que quem entra conheça o quadro clínico dos pacientes sob sua responsabilidade. A norma vale para serviços hospitalares de urgência e emergência, incluindo prontos-socorros e pronto-atendimentos hospitalares — e não alcança serviços não hospitalares, como as UPAs.
Na prática: você pode trocar o plantão com um colega, mas quem assumir continua obrigado a fazer a passagem no fim do turno.
Quando o sistema substitui o papel
O termo impresso resolve o registro, mas não resolve o resto: ele não atualiza a escala, não avisa a equipe e não impede que a vaga fique descoberta se o colega desistir.
No Plantão Pago, a troca nasce dentro da própria escala. O plantonista abre o pedido escolhendo com quem quer trocar, o colega aceita ou recusa, e a solicitação segue para a coordenação aprovar. A escala se atualiza sozinha assim que a aprovação sai.
E o termo sai pronto de lá. Aprovada a troca, aparece o botão Ver termo, que monta o documento com os dados reais do plantão — data e horário, nome e CRM dos dois médicos, quem autorizou e quando — e permite salvar em PDF. É o mesmo conteúdo do modelo acima, sem ninguém precisar digitar nada duas vezes.
Para isso funcionar, o CRM passou a ser obrigatório para escalar alguém: sem ele o termo não serve para o que existe, que é provar quem cobriu o turno perante a direção técnica.
Para quem coordena, isso responde a pergunta que o grupo de WhatsApp nunca respondeu: quem estava escalado, afinal. Se você ainda está decidindo que ferramenta usar, vale comparar as opções no guia dos 5 apps para controlar plantões médicos.
Perguntas frequentes
A troca de plantão precisa da autorização da chefia?
Depende da instituição, e na maioria delas sim. Mesmo onde o aceite entre colegas basta, a coordenação precisa ser comunicada por escrito — é ela que responde pela cobertura do setor e precisa saber quem estará lá.
Combinar a troca por WhatsApp vale?
Vale como combinação, não como comprovação. A orientação dos conselhos é formalizar na escala oficial, por escrito, com cópia para os dois médicos. A conversa serve para acertar; o termo serve para provar.
Quem responde pelo plantão depois da troca?
O médico que assume. Ele responde pelo atendimento durante todo o turno e pela passagem de plantão ao profissional seguinte, nos termos da Resolução CFM nº 2.077/2014.
E se o colega que assumiu não aparecer?
A responsabilidade administrativa é de quem assumiu, mas quem cedeu fica exposto se não houver registro da troca. É justamente por isso que o termo assinado e entregue à coordenação importa — sem ele, a ausência aparece no nome de quem estava na escala original. Se a falta virar desconto no pagamento, o caminho é o mesmo de quando o hospital não paga o plantão.
Preciso de termo se o vínculo é PJ?
Sim. O vínculo muda a natureza da relação, não a necessidade de registrar quem cobriu o turno — e, no caso PJ, o termo ajuda a sustentar a nota fiscal de quem efetivamente trabalhou. Vale conferir também o que o contrato PJ de plantonista prevê sobre substituições.